segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Falam por mim | Rubem Alves - Pinóquio as Avessas

Oi gente querida! =)

Não já estou há algum tempo sem escrever aqui. Queria ter registrado algo em alusão ao dia do nutricionista, 31 de Agosto, mas com as loucuras do TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) não estou conseguindo tempo para me organizar. Confesso, também não estou com pensamentos organizados o suficiente para registrar qualquer registro pessoal, muitas situações, muitos pensamentos, muitas borbulhas. Assim, resolvi recorrer a textos de queridos que de alguma forma falam por mim o que tenho sentido frente as vicissitudes dos meus dias. O texto em questão é do Rubem Alves, extraído do livro Estórias de quem gosta de ensinar, ano 1988. Vamos a ele. =)


Pinóquio às Avessas - Rubem Alves

Não conheço estória que combine malandragem psicanalítica com convicção pedagógica como Pinóquio. Depois de levar a criança a se identificar com um boneco de pau, a trama progride proclamando que é necessário ir à escola para se virar gente. Caso contrário o destino inevitável é virar burro, com rabo, orelhas, zurros e o tudo mais que pertence à burrice. Claro que este é um golpe desonesto. Seria necessário dizer com clareza aquilo que aqui ficou simplesmente mal dito, contando sobre o destino invertido daqueles que eram carne e osso ao entrar na escola e só receberam diplomas depois de se transformarem em bonecos de pau.

Alguém já devia ter dito estas coisas às crianças: é uma exigência de honestidade. Mas ninguém até agora se atreveu. A razão? Parece que dentro de cada um de nós mora um Gepeto. A inversão do script poderia parecer uma tentativa de corromper a juventude, e o inovador acabaria por ser enxotado, como se fosse parte do bando de espertalhões que desviou Pinóquio do sagrado caminho em busca da humanidade, o caminho da escola.

Quero tomar este risco. Ainda vou inventar a tal estória. A moral já está pronta: por vezes, a maior prova de inteligência se encontra na recusa em aprender.

Sei que esta proposta é insólita e que o leitor, meio Gepeto sem saber (como eu também, quando mando meus filhos à escola), haverá de me pedir explicações. Confesso que não tenho muitas evidências em minhas mãos. Ainda não fiz as pesquisas e nem fichei as notas de rodapé. Mas os meus pensamentos se metamorfosearam em uma parábola que passo a contar:

O rei Leão. nobre e cavalheiro, resolveu certa vez que nenhum dos seus súditos haveria de morrer na ignorância. Que bem maior que a educação poderia existir? Convocou o urubu, impecavelmente trajado em sua beca doutoral, companheiro de preferências e de churrasco, para assumir a responsabilidade de organizar e redigir a cruzada do saber. Que os bichos precisavam de educação, não havia dúvidas. O problema primeiro era o que ensinar. Questão de currículo: estabelecer as coisas sobre as quais os mestres iriam falar e os discípulos iriam aprender. Parece que havia  acordo entre os participantes do grupo de trabalho, todos os urubus, é claro: os pensamentos dos urubus eram as mais adequadas para uma saúde perfeita; a cor dos urubus era a mais tranquilizante; o canto dos urubus era o mais bonito. Em suma: o que é bom para os urubus é bom para o resto dos bichos. E assim se organizaram os currículos, com todo o rigor e precisão que as últimas conquistas da didática e da psicologia da aprendizagem podem merecer. Elaborar-se sistemas sofisticados de avaliação para teste de aprendizagem. Os futuros mestres foram informados da importância do diálogo para que o ensino fosse mais eficaz e chegavam mesmo, vez por outra, a citar Martin Buber. Isto tudo sem falar na parafernália tecnológica que se importou do exterior, máquinas sofisticadas que podiam repetir as aulas à vontade para os mais burrinhos, e fascinantes circuitos de televisão. Ah! que beleza. Tudo aquilo dava uma deliciosa impressão de progresso e eficiência e os repórteres não se cansavam de fotografar as luzinhas piscantes das máquinas que haveriam de produzir saber, como uma linha de montagem produz automóvel. Questão de organização, questão técnica. Não poderia haver falhas.

Começaram as aulas, de clareza meridiana. Todo mundo entendia. Só que o corpo rejeitava. Depois de uma aula sobre o cheiro e o gosto bom da carniça, podiam-se ver grupinhos de pássaros que discretamente (para não ofender os mestres) vomitavam atrás das árvores. Por mais que fizessem ordem unida para aprender o gingado do urubu, bastava que se pilhassem fora da escola para que voltassem todos os velhos e detestáveis hábitos de andar. E o pavão e as araras não paravam de cochichar, caçoando da cor dos urubus: "Preto é a cor mais bonita?" Uma ova..."

E assim as coisas se desenrolaram, de fracasso a fracasso, a despeito dos métodos cada vez mais científicos e das estatísticas que subiam. E todos comentavam, sem entender: "A educação vai muito mal..."

Gosto de estórias porque elas dizem com poucas palavras aquilo que as análises dizem de forma complicada. Todo mundo reclama do fracasso da educação no Brasil. Os alunos de hoje não são como os alunos de antigamente. Nem mesmo sabem escrever. Que dizer do aprendizado da Ciência, esta coisa tão importante para o projeto Brasil grande potência? E eu fico a me perguntar se o problema não está justamente aqui. Um bem-te-vi que consiga se aprovado com distinção na escola dos urubus (quem sabe com um daqueles Q.I.s de causar inveja?) pode ser muito inteligente para os urubus. Bem-te-vi é que ele não é. Não passa de um degenerado. E aqui volto à moral da estória do Pinóquio às avessas, que ainda vou escrever, aquela mesma que causou o espanto: por vezes, a maior prova de inteligência se encontra na recusa em aprender.

É que o corpo tem razões que a didática ignora. Vomitar é doença ou é saúde? Quando o estômago está embrulhado, aquela terrível sensação de enjoo, todo mundo sabe que o dedo no fundo da garganta provocará a contração desagradável mas saudável. Fora com a coisa que violenta o corpo! Nietzsche dizia em certo lugar (não consegui encontrar a citação) que ele amava os estômagos recalcitrantes, exigentes, que escolhiam a sua comida, e detestava os avestruzes, capazes de passar em todos os testes de inteligência, por sua habilidade de digerir tudo. Estômago exigente, capaz de resistir e de vomitar. Em cada vômito uma denúncia: a comida é imprópria para a vida.

E eu me pergunto se este tão denunciado e tão chorado fracasso da educação brasileira não será antes um sinal de esperança, de que continuamos capazes de discernir o que é bom para o corpo daquilo que só é bom para o lucro. Esquecer depressa: não é esta a forma pela qual a cabeça vomita a comida de urubu que lhe foi imposta? Cursinho vestibular, exame vestibular: banquete de urubu? E fácil saber. Que se sirva a mesma comida, seis meses depois.

Uma ideia a ser explorada: para educar bem-te-vi é preciso gostar de bem-te-vi, respeitar o seu gosto, não ter projeto de transformá-lo em urubu. Um bem-te-vi será sempre um urubu de segunda categoria. Talvez, para se repensar a educação e o futuro da Ciência, devêssemos começar não dos currículos-cardápios, mas do desejo do corpo que se oferece à educação. É isto: começar do desejo...

Alves em 1988 registra um contexto ainda atual. Fico pensando que esse texto não limita-se ao ensino fundamental e médio. Fico pensando que a universidade em muitos momentos simplesmente segue a mesma didática de produção. Fico pensando e pensando... 

domingo, 13 de julho de 2014

Momento Nostalgia - Saúde, vida, cores e bolhas

Oi queridones,

hoje tirei o dia para escrever, mas não aqui, a escrita hoje foi no meu trabalho de conclusão da graduação. Não sei para outras pessoas, mas para mim, tem essa tarefa para fazer é um misto de prazer e angústia. Prazer porque amo o tema que estou tratando, a saber, potencial social de hortas urbanas e as possibilidades de atuação profissional do nutricionista nesse contexto. Lindo, né? Sou super suspeita para falar, sei disso! A angústia vem por querer que ele fique tão lindo a ponto das outras pessoas também verem beleza na pesquisa, sei que, pessoalmente, vejo muita relevância nesse assunto, mas quero escrever de tal forma que além de compartilhar conhecimento ele tenha sentido para o leitor que chegar seus olhos pelas suas páginas. Isso implica em querer explicar tudo "tim-tim por tim-tim" _já que na nutrição pouco se fala sobre isso_ o que torna a escrita "um pouco" extensa e tenho que ler muitas coisas para poder tecer a linha de raciocínio nem tão objetivo mas claro. =)

Minha orientadora é uma antropóloga queridona que me ajuda constantemente, além de plantar mais caraminholas na minha cabeça, que me fazem nutrir um carinho mais "rebuscado" sobre o assunto e alonga meus capítulos porque a cada conversa é mais assunto para acrescentar. Quando ele estiver prontinho, eu o coloco aqui com toda a certeza! Por enquanto, o deixa guardadinho no meu computador, pendrive, e-mail, não posso perdê-lo! (risos).

Quero registrar aqui um texto que escrevi há algum tempo, lá no meu blog antigo. Hoje dei uma relida em boa parte das minhas postagens a procura de fragmentos que já tivesse escrito sobre saúde para encontrar um lugarzinho esperto no meu TCC. Ao me deparar com esse texto, fiquei imensamente feliz ao lê-lo e perceber que ainda faz um baita sentido na minha vida, mesmo que não tenha conseguido colocar alguma parte dele na formalidade do meu texto acadêmico.

Relembrar é viver, momentos de nostalgia são sempre bons e espero que vocês curtam a leitura. ;)

beijos doces. =*








Saúde, vida, cores e bolhas




Saúde é vida e vida, entre muitas coisas, é pertencimento. Pertencer é fazer parte de algo ou alguém, todo mundo quer ser alguém em algum lugar e isso é fazer parte de algo, é pertencer a si e ao mundo, ou a uma parte dele. Mundo, um lugar diverso e complexo, cheio de cenas e atores, tudo muito dinâmico em constantes modificações. Existe muita vida dentro de cada cenário deste planeta, alguns cheios de cores, em que muitos querem pertencer, contudo, há também aqueles em preto e branco a qual poucos pertencem não querendo pertencer, quem quer?

Na adolescência comecei abrir os olhos para alguns quadros cinzentos, os primeiros foram lá pelo continente africano, com as criancinhas e senhoras sozinhas, órfãos com fome, esquecidos… queria ter uma caixa de lápis de cor para colorir, cores que trouxessem muita vida, esperança e fé. O tempo me mostrou o quão difícil pode ser levar minha caixa de lápis de cor à África, isso demandava muitas competências que na época eu não conseguia pensar em ter, de qualquer forma o desejo era grande, eu queria muito colorir!

Quando estava a ponto de guardar meus lápis e pensar em outra coisa pra fazer olhei pro lado, e percebi que bem aqui do meu ladinho (quem diria?) existiam também cenários cinzentos, às vezes tão escuros que mal se conseguia definir os contornos, era tudo um borrão, uma grande colisão de solidão, descaso e tristeza.

Gostaria de expor um devaneio, algo que me tirou uma noite de sono pensando, mas que explica muita coisa do que sinto e vivo há alguns anos em minha vida de jovem adulta (ou velha adolescente…). Esse devaneio chama-se Relação com efeito palpável: se você observar uma bolha de sabão perceberá sua beleza, cor, formato e movimento. Se tocar nela terá estabelecido uma relação, sem muito efeito porque ao término do toque haverá tido uma pequena sensação no seu dedo com o fim da frágil bolha.

Em outra situação se você entrar em uma sala repleta de bolhas de sabão a dinâmica será totalmente diferente! Você não somente observa as bolhas, como as sente em todas as partes possíveis para sentir no momento. Chamo de efeito palpável o resultado dessa relação já que mesmo ao sair dessa sala muitas bolhas deixaram de ser, você estará molhado e com cheiro de sabão. Houve uma reação que foi além da observação e contemplação (achar bonito e legal); ocorreu uma integração onde se permitiu a criação de marcas, sensações e significados.

O efeito palpável de uma relação são as ações que demonstram se você pertence ou não há alguma situação, se você concorda ou não com o que está vendo. Posso estar imerso em uma cena totalmente colorida, o quanto eu me disponho a colorir outros espaços? Bom, isso depende de quantos espaços cinzentos eu conheço, porque mesmo que eu tenha apenas uma cor de lápis no meu estojo, ela já vai ter um efeito na dinâmica monocromática de algum lugar.

O motivo de eu estar falando tudo isso foi porque eu percebi que posso colorir muitos espaços, não porque eu toquei em uma bolha, mas porque entrei numa sala repleta de bolhas, que gerou em mim marcas, as quais eu não posso, nem quero abrir mão.

Falando mais especificamente sobre saúde, compartilho com vocês algumas realidades: acompanhar os veículos de comunicação, suas notícias sobre o SUS _Sistema Único de Saúde, é tocar uma bolha; ler artigos científicos sobre saúde é tocar em outra bolha; conhecer o SUS, seus princípios e diretrizes e achar o projeto “uma coisa bacana” (que é lindo no papel) ou reclamar dos serviços de saúde, sem conhecer sua rotina e suas dificuldades são outras bolhas.

Quantas bolhas isoladas as pessoas conhecem por ai, e muitas vezes essa observação sozinha faz quantas caixas de lápis serem guardadas em gavetas da mente e sonhos ou menosprezadas por palavras pessimistas e ações destrutivas. Agora, permitam-se entrar em uma realidade diferente da sua para ouvir seus sujeitos, suas histórias. Deixe que seus pés pisem em um chão nunca pisado antes, senta o sol num horário nunca antes tentado, abra os olhos para as muitas caixas de lápis fechadas por não saberem o que fazer com esses instrumentos, tendo tanta coisa a ser feita com eles, tanto a colorir!

Permitir-se viver o que nunca antes foi vivido é adentrar numa sala repleta de bolhas, todas aquelas que mencionei antes e muitas outras ainda desconhecidas, que te deixarão molhado, até mesmo encharcado de saberes, sentidos e significados. Tudo isso é uma breve simbiose que te deixa com um sentimento de pertencimento, mesmo que você ainda não saiba como quer fazer parte dessas pessoas, nesses lugares.

E o VER-SUS nisso tudo? Um projeto disparador que se equivale à porta para a sala de bolhas do SUS. Esse espaço vai te deixa molhado, querendo pertencer a tantas realidades e mostrar o potencial da sua caixinha de lápis de cor, ou quantas caixinhas podem ser formadas com as cores que cada um tem, e quantas realidades podem ser pintadas com o empenho de todos os lápis juntos.

Eu não me esqueci dos grandes cenários cinzentos do mundo, ainda quero poder pintar alimento nos pratos e sorrisos nos rostos de crianças africanas. Hoje, tenho conhecido pessoas que assim como eu estão encharcados de desejos e sonhos, temos iniciado a realização deles através do ELOS Coletivo, espaço de aprendizagens, compartilhares e muita vontade por mudanças. Entendo que tudo o que esse estágio de vivência me proporcionou é cidadania, que são ações de educação, que geram saúde e saúde é vida… que é pertencimento.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Um tchauzinho para Teorias Políticas... =[

Oi gente!

Que semestre maluco esse meu, muitos trabalhos e assuntos diferentes a cada dia. Claro, eu que fui catar uma disciplina em cada centro da universidade para cursar, mas me senti tão completa compartilhando e conhecendo diferentes colegas de diversos cursos, da comunicação às ciências sociais. Aprendi a fotografar, perdi minha vergonha em conversar e inglês e fui apresentada a inúmeroa pensadores que analisaram as conjunturas sociais de seus tempos propondo formas de fazer melhor o mundo. Não esqueci que faço nutrição... (risos), também estou imensamente feliz com a caminhada que o Centro Acdêmico do meu curso recomeçou. Depois de sete anos, note, eu disse SETE ANOS (!!!!!!) reabrimos oficialmente a instância representativa dos estudantes do curso. Vitórias, conquistas e muitos caminhos ainda por serem desbravados. Teria mais coisas para registrar aqui, quem sabe, em uma próxima postagem eu detalhe mais os tons coloridos do meu semestre, hoje, quero deixar mais um texto escrito na disciplina de Teorias Políticas Clássicas. Esse texto demandou muitas horinhas de leitura e reflexão de dois colegas e eu, muita discussão até harmonizar as compreensões e produzir esse material que nos dará boa parte da nota final da disciplina. Como fiz da outra vez, conto se fui bem ou não... ;)
 
 
Trabalho: fonte de liberdade ou fonte de exploração? Uma análise em John Locke e Karl Marx.
Elaborado por: Bruna Pedroso, Carolina Teixeira, Leonardo Silveira
 
 
 
Trabalho pode ser entendido como toda e qualquer transformação da natureza por meio da mão humana, este é um olhar bem amplo que possibilita muitas reflexões sobre o tema. Trazendo um recorte da antiguidade, os gregos, por exemplo, guardavam um sentimento de desprezo por essa prática já que consideravam o trabalho como atividade corporal que requeria grande esforço físico. Nesse sentido, esse tipo de esforço não refletia a excelência e virtude humana, o que de fato importava seria o logos, sabedoria e dentro isso estava a contemplação da vida e a participação política. Diante disto pode-se dizer que há uma separação entre a liberdade e o exercício do trabalho, sendo esse realizado por setores da população que viviam em regime de escravidão, o que era aceito como natural na época.
 
A visão a respeito do trabalho foi se alterando através do tempo em consonância as modificações estruturais da sociedade. Diversos pensadores refletiram sobre esse conceito e neste trabalho serão destacados os pensamentos de John Locke e Karl Marx dentro da relação de trabalho e liberdade.
 
John Locke expõe a ideia de que o trabalho é parte integrante da garantia a vida, que é um direito comum a todos os homens, sendo ele fonte da propriedade individual. Tal propriedade individual se constitui pela apropriação da natureza e os frutos que ela pode oferecer, bem como a transformação dela para a produção de bens (móveis ou imóveis) que suprem as necessidades humanas. Partindo do pressuposto de que a natureza está disponível a todos, cada homem é livre para extrair o que for necessário, onde todos teriam a mesma oportunidade de produção a partir da apropriação da natureza e todo produto desse trabalho é para consumo próprio. O trabalho para Locke é livre tanto no Estado de Natureza quando no Estado de Sociedade, muito embora este segundo estado torna-se necessário para a garantia destes direitos a todo povo e a consolidação da liberdade dá-se por meio do cumprimento de leis consentidas, ou seja, criadas pelos próprios homens e não determinadas externamente, no caso as leis da natureza e as leis de Deus.
 
O povo que Locke se referia era composto, basicamente, pela nobreza rica e o contexto social vivido no período de suas análises era majoritariamente, agrário. A industrialização oriunda da I Revolução Industrial (1750 d.C.) marca mais uma vez, mudanças conceituais e organizativas na visão sobre o trabalho. Nesse contexto, Karl Marx não somente vai olhar para parte abastada da sociedade como também vai refletir sobre as relações e impactos gerados pelo trabalho do ponto de vista vivido pelos mais pobres. Na realidade da época havia uma separação entre quem detinha a matéria prima e a tecnologia de produção, a burguesa, e aqueles que não as possuíam, o proletariado, e por isso eram usados como força de trabalho já que a única coisa que lhes pertencia era sua mão de obra. Essa dicotomia entre quem compra mão de obra e quem a vende estabelece uma divisão do que Marx vai chamar de classes burguesas e operárias. Evidenciava-se uma condição de exploração do trabalho tendo em vista que a mão de obra que estava sendo vendida pela classe operária para a classe burguesa não era remunerada na mesma proporção com os lucros da produção realizada. Com isso, o trabalho deixa de ser uma prática individual para suprimento das suas necessidades e passa a fazer parte das relações sociais e estruturantes da sociedade, o que caracteriza num sentido dialético que o homem transforma e é transformado por meio do seu trabalho. Para Marx essa exploração é uma expropriação do trabalho operário e a não percepção disso por parte dos trabalhadores é chamada de alienação.
 
Hoje, continuamos submetidos ao mesmo sistema capitalista e a mesma lógica nas relações de trabalho, tendo as classes menos privilegiadas da sociedade exploradas pelos detentores do capital. Dessa forma, a análise que deste autor permanece atual, dando continuidade a ideia do trabalho como fonte de exploração. Cabe refletir que a imagem de liberdade que o sistema capitalista passa em relação ao trabalho é uma forma de alienação, sustentada no modelo de meritocracia onde as oportunidades estão, aparentemente, disponíveis para todos que quiserem. Muito embora, seja conhecido que essa afirmação não se mantém quando observa-se as desigualdades sociais desenhadas no cotidiano e as diversas vulnerabilidades que a maioria da população vive.
 
Inicialmente, o trabalho estava atrelado ao suprimento das necessidades humanas, sejam elas primárias ou não, de forma direta. As modificações da sociedade, a saber, os fenômenos de industrialização e globalização criaram e consolidaram monopólios dos meios de produção dominados por uma minoria que reduzem o trabalho de uma maioria a moeda de troca. A medida que os bens vão ganhando valor monetário o trabalho para o suprimento passa a ser indireto, porque primeiro precisa-se ter dinheiro para suprir necessidades e a única forma de conseguir dinheiro é por meio de um trabalho alienante. O trabalho como fonte de liberdade só realizar-se-á mediante a uma retomada de consciência embasada no bem comum da coletividade, o que se materializaria com a reestruturação das relações socioeconômicas e reapropriação dos meios de produção pelos trabalhadores. 
 
REFERÊNCIAS
BARSA, T. O trabalho. Rio de Janeiro: Barsa Planeta, 2005. pág. 268-269
_______. Marx. Rio de Janeiro: Barsa Planeta, 2005. pág. 146-149
Vídeos - Youtube 
"Marx para a Sociologia" 
"Aula do professor Matheus Passos - Síntese de Hobbes, Locke e Rosseau."



 

quinta-feira, 5 de junho de 2014

20 anos em um resumo.

Oi gente,

estava aproveitando um tempinho que me sobrou na tarde para uma breve pesquisa das muitas que preciso fazer para finalizar o referencial teórico do meu trabalho de conclusão. Sim! Já o estou escrevendo e estou pirando com isso, mas vai dar tudo certo! XD Nesse meio tempo achei um material bárbaro, não podia deixar de compartilhar. Dei uma olhada por cima, quero me debruçar melhor sobre ele, mas vale a pena deixar aqui! 20 anos de SUS com muito desenho e desenvoltura. 

A mostra “SUS: A Saúde do Brasil” é uma exposição, que já percorreu vários estados brasileiros e foi exibida na sede da Organização Pan-Americana da Saúde, em Washington DC, EUA, pode ser visitada virtualmente, no site do Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS). História, Português, Filosofia, Matemática, Geografia e Filosofia, entre outras matérias escolares, inserem o público no universo do SUS. São 29 painéis que contam a trajetória da Política de Saúde do Brasil, instituída com a Constituição Federal de 1988, de forma didática e atraente.

Deliciem-se! :D

terça-feira, 15 de abril de 2014

Compartilhando tema de casa. =]

Oi gente!
Estou feliz em estar aqui, dessa vez vou compartilhar um texto que escrevi para uma disciplina da faculdade. Fiz ontem e fiquei tão contente com o resultado que julguei interessante deixar registrado aqui. Ainda não tenho a nota dessa atividade, espero que seja boa! Assim que a tiver falo pra vocês, enquanto isso, aceito comentários para continuar construindo reflexões sobre o tema! ^^

Política e Participação Popular na contemporaneidade



Este trabalho integra a nota do Grau A, primeiro ciclo de aulas do semestre. Tem como objetivo verificar a consolidação dos assuntos trabalhados em aula de forma integrada dentro da temática política e participação popular na contemporaneidade. Será um texto reflexivo sem a intenção de se enquadrar nos moldes metodológicos científicos.

O senso comum diz que política é a relação de pessoas inseridas ou envolvidas com partidos políticos. Num primeiro momento não é observado nenhum erro nessa constatação, mesmo que de forma insipiente, estar envolvido ou inserido em partidos políticos não deveria remeter a algo negativo. O que ocorre é que pelas diversas situações que fogem a ética coletiva (falo em nível de Brasil por não ter aprofundamento em outros países), com a má conduta das pessoas em cargos políticos na sociedade, esse verbete “política” está desgastado para a maioria dos brasileiros. Política tornou-se sinônimo de querer buscar formas de conseguir dinheiro por meio de formas ilícitas e/ou ganhar fama e prestígio social.

Na verdade, o pensamento em torno da política é bem mais profundo que essas impressões gerais. Política é sinônimo de participação, organização coletiva de um grupo, de forma mais ampla, em uma cidade. Um termo trazido pelos gregos, carregado de muito significado e reflexão. Para Aristóteles, Sócrates e Platão, pais da filosofia, a Pólis (do grego cidade) era o lugar comum às pessoas que deveria refletir um espaço produtor de felicidade, a plenitude de vida a todos. Essa felicidade só seria possível a partir da conduta consciente dos indivíduos integrantes dessa cidade, conduta essa que era norteada por acordos (leis) que objetivavam a boa convivência coletiva. Com todas as ressalvas a organização dos gregos e a forma como eram determinados os cidadãos, trazer a lembrança essas reflexões de consciência e conduta políticas como base para o pensamento político são de extrema importância, mesmo hoje, anos e anos dessa realidade.

A política perpassa todas as forma de organização coletiva do ser humano, partidos, coletivos, associações, grupos religiosos. Ao longo da história, diversas forma de sistematizá-la já foram construídos por diversos estudiosos, de alguma forma o conceito mais arraigado é relacionar a política às coisas do Estado, governar, legislar, executar, porque ao longo da trajetória humana, as guerras, estratégias e conformações coletivas em forma do governo/controle/poder se colocaram como base para “pensar politicamente”. Isso, distancia a ação política da ação popular, a ação dos políticos (pessoas com cargo político dentro das instâncias consideradas de organização coletiva em nível de município, estado e país) da ação de pessoas “comuns” ou populares.

Essa diferenciação trazida por essa racionalidade administrativa de ver e agir frente as situações sociais, somada a toda bagagem colonialista da sociedade brasileira justificam a pouca participação das pessoas nesses espaços. Nesse sentido, a democracia representativa, perde seu caráter quando não há diálogo entre representantes e representandos. Claro que existem aqueles que exercem participação e se organizam em espaços coletivos, grandes ações já foram e são pensadas e realizadas via esses espaços. Todavia, o impacto de ações e/ou de alguma forma retornos mais semelhante as demandas sociais (porque é para responder as necessidades sociais/dos representados, ou pelo menos, deveria ser já que nos organizamos até então dessa forma) seria maior.

O exercício da política está na construção da identidade humana pois é o cerne de qualquer relação. Toda relação é desenvolvida por meio de algum tipo de organização dentro de um contexto, seja ele o que for: familiar, escolar, universitário e político. Gostaria de encontrar outro termo que remetesse a ações políticas governamentais, mais ainda me foge essa capacidade. No entendo, não há como negar que existe a necessidade de resgatar o pensamento grego sobre política para desmistificar a negatividade existente por traz ação políticos das pessoas. Ser sujeito ativo das construções sociais em nosso meio é de extrema importância para alcançar o que Aristóteles, outros filósofos e qualquer pessoa “comum” espera da vida: plenitude através de uma vida feliz e isso só se dá por meio de um ambiente coletivo, entendendo o ser humano como essencialmente um ser relacional.


Referências

BOBBIO, N. MATTEUCCI, N. PAQUINO, G. Verbete Política in Dicionário de Política. 5ª ed. Brasília: Editora Edunb – Universidade de Brasília, 1998.

CHAUÍ, Marilena. Cultura e democracia: o discurso competente e outras falas. 6. ed. São Paulo: Cortez, 1993.


TÔRRES, M. R. Os conceitos Aristotélicos de cidade e cidadão. ISSN 1808-8031, volume 02, p. 01-10. Disponível em: <http://www.outrostempos.uema.br/volume02/vol02art01.pdf>. Acessado: 14 de Abril de 2014

domingo, 6 de abril de 2014

Minha mente, amiga minha.

Minha mente é uma tela e nela eu gosto de brincar
fechar os olhos e fugir, não tem melhor lugar!
Histórias, lembranças e sonhos...
corridas, canseiras e sono.
As vezes tão longe que ninguém me alcança
outras vezes tão concentrada que até traz dor
Me leva, me traz, me constrói ao mesmo tempo que se desfaz
De qualquer forma ela se forma e fica da forma que for.
Minha mente, minha amiga,
imaginação criativa que não quero jamais abrir mão.

terça-feira, 18 de março de 2014

Saúde. Saúde? Saúde!

É um carinho,
é o encontro,
produção.

É um caminho,
é um suspiro,
inspiração.

É consciência,
é criatividade,
diversidade.

Saúde pode ser muitas coisas,
mas uma coisa é certo que não
não é caridade, não é favor.

Saúde, pra mim
pra você, pra todo mundo
Saúde é direito e direito coletivo.

Um carinho,
um caminho,
uma consciência.

Saúde, potente capacidade de gerar vida.

Potente
Geração
Gera ação
Gera vida.


quinta-feira, 6 de março de 2014

Amigo

Dizem que amizade é um amor sem paixão, não concordo.
Existe muita paixão na amizade!
Expectativa dos encontros, rápidos ou demorados.
A vontade de estar junto mesmo quando se está longe.
A alegria do reencontro que se acaba num abraço ou "oi" no telefone.

Existe muita paixão na amizade.
Uma paixão inocente que se acalma no aperto de mão, no olhar disponível.
Que se completa nas conversas, horas a fio.
Que se consolida na transparência, sinceridade e tolerância.

Ah, meu amigos, como os amo
e como sou apaixonada por cada vínculo verdadeiro.

Sim, mais cedo ou mais tarde sabemos quem são as verdadeiras

Amizades apaixonantes, posso dizer que tenho e sou muito feliz com elas.


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

E ai?

Estou com uma música na cabeça há pelo menos duas semanas, "Problema Social" - Seu Jorge:


"Se eu pudesse eu dava um toque em meu destino
Não seria um peregrino nesse imenso mundo cão"

Muitos toques foram necessários para construir a forma de vida atual das pessoas. Capitalismo, parece que as pessoas fogem dessa constatação ou senão, tentam amenizar as coisas, talvez, para diminuir a culpa. Culpa, quem tem culpa? Todo mundo, ninguém, alguns... não sei. 

Vejo essa música como uma ilustração da fala de muitos que sofrem por não ter acesso as oportunidades que a nossa sociedade convencionou ser importante para ter uma vida feliz. Discretamente, faço uma relação com as tensões sociais vividas na minha cidade, Porto Alegre e no Brasil de maneira geral. Tudo isso aponta alguma coisa, fala e grita muitas coisas mas o que ecoa são as críticas, falácias e misticismos. Ninguém tem a verdade absoluta, não dá pra seguir uma única fonte, tampouco fingir que nada acontece.

"Mataria a minha fome sem ter que roubar ninguém
Juro que eu não conhecia a famosa Funabem"

A vida é feita de processos que desenvolvem outros processos e não podemos negar os frutos gerados dessas articulações históricas. Observar tudo isso dá um frio na barriga, uma tristezinha no coração, de pensar que sou pequena demais para realizar alguma mudança, da mesma forma, a esperança de que minhas ações podem ser uma reação em cadeia ou, simplesmente, está fazendo parte de um movimento maior já alivia um pouco esse peso.

Não tenho muitas palavras para discorrer, pelo menos agora. Fica mais um registro da minha insatisfação da maneira os cenários são pintados, só não vê quem não quer. Como registrei na minha rede social hoje pela manhã:

Quanto mais leio, mais penso; quanto mais penso, mais reflito e quanto mais reflito menos quero ficar parada. Por que paramos? 

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Pra não dizer que não falei das fotos

Como não sou uma pessoa objetiva tampouco dada a poesia vou me atrever a escrever um texto sobre foto, mesmo não sendo da comunicação, no intuito de tirar o excesso de palavras contidas em meu interior.

Lembranças são fotografias da vida reveladas na alma, marcas presentes de um passado que, próximo ou não, refletem nas nossas percepções acerca do futuro. Ao olhar para uma pessoa, você está se deparando com um painel de imagens que se revela de formas, tamanhos e organização distintas, únicas, mesmo que seja possível ver semelhanças entre um painel e outro. Lembro do meu primeiro tombo de bicicleta; de quando percebi que sabia escrever e, quando descobri minha paixão por escrever aleatoriedades. Assim como existem muitas fotografias no meu painel, encontro muitos espaços em branco, esperando para serem preenchidos, também, existem aquelas fotos que podem ser realocadas para otimizar os espaços. 

Fecho os olhos e resgato lugares, pessoas e conversas que despertaram novos sentimentos e desejos nos planos que eu traçava para minha vida, nesse sentido, destaco o desenvolvimento da minha espiritualidade, os princípios e valores que constroem minha fé e são a base para minhas decisões. Essa cosmovisão permitiu que eu “descolasse” meus olhos da minha própria vida e das fotos que eu ainda queria tirar, para olhar o mundo e compreender que as minhas ações também eram fotos que se revelavam por ai, deixando marcas em painéis alheios, despertando desejos e vontades em outras histórias. Que frio na barriga! Que loucura pensar nisso, e as lacunas que antes queria preencher apenas comigo e os meus sonhos, comecei a querer revelar com os resultados dos encontros com outros, então as lembranças não são mais somente minhas, mas de muita gente, sou eu no outro e o outro em mim.

Nem todas as lembranças formam boas fotografias, algumas até eu preferia nem ter tirado. Há inúmeros motivos para que esses registros não sejam tão agradáveis quanto quiséssemos que fossem, dentre as razões, se existe uma verdade sobre fotografia, é que nunca se faz sozinha. Ela só se constitui a partir de um observador para um objeto observado, então, mesmo quando só está você no quadro da lente, esse registro depende, minimamente, de um cenário e quem o registre.

Prolongar-me-ia mais falando das boas lembranças que tenho nesses meus curtos dias de vida, de fato, elas são muito importantes pra mim e me ajudam a buscar novas vivências. Entretanto, quero aqui, de alguma forma, encontrar uma explicação lógica, coerente ou sensata para o que vivi com alguns colegas na quinta-feira do dia 14 de Dezembro do ano de 2013. Certamente, esse fim de tarde não foi um cenário em que pensei em registrar algum tipo de lembrança. Ainda tento encontrar lógica para tudo o que aconteceu. Faixas, bandeiras, um megafone e não mais que 70 pessoas formavam o grupo de estudantes no ato contra ações verticais da instituição de ensino o qual fazemos parte.


Uma coisa que não falei sobre as fotos é que cada uma é carregada de uma história, muitas vezes bem mas antiga que os atores que a formam. Falo isso porque quando olhamos o ato da quinta-feira precisamos olhá-lo como uma ação dentro de quatorze dias de ocupação de uma reitoria, que está dentro do inconformismo de estudantes que não se sentem parte integrante de um espaço que é deles, a universidade, que está dentro de uma forma de pensar sobre educação e como se dá o seu desenvolvimento. Não tem como dissociar essas diversas fotografias, que foram se desenvolvendo na realidade dos diversos indivíduos que estavam ou não presentes nos registros de quinta-feira.


A maneira mais fácil e superficial de explicar isso é dizer que a insatisfação desse estudantes pode ser resolvida indo para outra universidade, ou questionando a presença de alunos bolsistas dentro da manifestação, ou que existiriam outras possibilidades de ações a serem tomadas sem conhecer a história do fato e/ou sem citar essas outras possibilidades a serem feitas. A forma mais fácil e superficial de lidar com algo que incomoda é ignorar ou excluir, rasurar, tentar apagar, quem sabe reprimir. Vamos esquecer todo o contexto, todas as motivações e reflexões acerca da mercantilização da educação, do investimento em instituições privadas para suprir uma demanda que devia ser garantida pelo Estado, das burocracias que dificultam e inviabilizam processos criativos que poderiam potencializar ainda mais as ações de um espaço de aprendizagem como uma universidade. Esqueçamos de tudo isso e fixemos nossos olhos para um muro pixado, o que, segundo os escritos nos jornais eletrônicos, justificou ação violenta do Pelotão de Operações Especiais – POE sob estudantes na Avenida Unisinos. Armas de fogo, cassetetes, bombas e balas (seja elas quais forem), insultos, empurrões, gritos foram as respostas mais altas que a ocupação ouviu até agora.

Existe lógica nisso? Existe alguma explicação para todo esse descaso, para o silêncio ou para a(s) resposta(s) vazias? Por mais que eu tente, não consigo, é incompreensível pra mim. Tentam encontrar paradoxos para essa movimentação estudantil. A meu ver, paradoxal é essa posição demagoga de uma instituição de ensino que preza pelo desenvolvimento integral crítico e reflexivo do ser humano. Paradoxal é a afirmação de que sou infinitas possibilidades, desde que dentro de um circo de burocracias e informações mascaradas.

Fisicamente, fui a menos agredida do grupo de estudantes que estava no ato. Há quatro dias desse momento horrível, as dores já não fazem mais parte de mim. O que permanece são as lembranças, marcas que não gostaria de carregar mas que vão permanecer. Marcas que quando feitas queriam silenciar, todavia de forma alguma vão alcançar tal objetivo. Essa certeza eu tenho porque minha voz não está sozinha, antes de mim já se ouvia e após também a fala de cidadania, educação e coletividade. Que comunitário é o produto de uma produção comum a muitos e isso só é possível se muitos fizerem parte da construção. Bom, mas esta foi mais uma foto no meu painel, que venham outras, melhores, espero eu.

"Caminhando e cantando 
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Caminhando e cantando
E seguindo a canção"
[Geraldo Vandré]

sábado, 2 de novembro de 2013

O que você ganha com isso?

E ai galeraaaaaa!
Que saudades desse espaço, que saudade de escrever, que saudades disso aqui! Coisas para contar é o que não faltam, muitas borbulhas de experiências vividas, encontro com pessoas, sentimentos, reflexões. Espero conseguir por em dias todas as ideias de texto que tive pra cá, fui impedida pela falta de tempo e em alguns momentos internet mesmo... heheheh
 
De qualquer forma, agora não quero recuperar as postagens atrasadas. Quero responder a pergunta que me foi feita hoje, mas não somente hoje e não somente por uma pessoa. "O que você ganha com isso?", com isso o quê? Hoje o Elos completa um ano de existência. Para quem não sabe, Elos é o coletivo estudantil em saúde o qual faço parte. Um coletivo é um grupo (que pode ser grande ou pequeno) de pessoas criado pelas possíveis afinidades de quem o forma em realizar atividades para um bem próprio ou de outrem. No nosso caso buscamos maneiras de aperfeiçoar a formação acadêmica para o Sistema Único de Saúde - SUS, entendendo-o como um política pública que garante um direito social a população brasileira, direito este que deve(ia) ser distribuído de forma PÚBLICA e de qualidade. Bom, muito pano pra manga só nessa pequena frase onde tentei sintetizar o que somos ou tentamos ser há um pouco mais de 365 dias. Não estou ficando maluca, tenho a plena consciência de que um ano é formado por 365 dias, com uma variação de um dia para mais quando é ano bissexto. Quando me refiro que completamos um ano mas somos ou tentamos ser algo há um pouco mais dessa quantia de dias é porque mesmo não sabendo que Elos éramos, no mês de Agosto do ano passado já assim nos comportávamos, mas somente em Novembro que "a ficha caiu" e nos encontramos com uma identidade coletiva.
 
Passando esta breve introdução eu volta ao ponto da questão: o que ganho sendo Elos? Se você esteja esperando que a resposta seja dinheiro, está enganado, não é esta a resposta, tampouco ela se materializa por algum bem material que eu possa mostrar a vocês.
 
São tantas borbulhas que algumas ideias acabam sublimando, sobram palavras para falar dessa construção que se formou e tem se formado a partir de uma matéria prima muito resistência e ao mesmo tempo volátil: a motivação. E uma matéria prima tão complexa como esta gera frutos magníficos de esperança e convicção. Se tem uma coisa que eu ganho por fazer parte dessa história é esperança de um futuro melhor, mesmo que nele eu não viva, ainda sim dele faço parte porque já estou ajudando na sua realização. Esperança de que estou em um movimento que mesmo em situações conflitantes não deixa de vibrar e mostrar de alguma forma que existe sempre novas ideias para serem postas em prática. Convicção de que não é um caminho tranquilo de ser seguido, que existem muitos obstáculos, desejos, vontades, interesses contrários a tudo o que se propõe nesse contexto, porém, vale a pena seguir caminhando porque antes outros já iniciaram seus passos e eu não sou só nesse trajeto, são muito mais que dois pés nesse caminho.
 
Inquietações, dúvidas, desconstruções pessoais são outros elementos que vieram junto com a parte de trabalhar em grupo, ser flexível, aberta e disponível. Mesmo assim, vale a pena! Vale a pensa continuar a pensar em objetivos, traçar metas para alcança-los; chorar por não ter recursos e um segundo depois perceber que afinal, eles não fazem tanta falta assim. Vale a pena vivenciar um projeto executado e um sorriso encontrando outro choro, dessa vez despreocupado porque o devia ter sido feito de fato foi. Vale a pena inventar histórias, sonhar maluquices e brincar com conceitos recém descobertos, tentando trazer sentido a uma realidade que muitas vezes é dura, inflexível e torturante. O que eu ganho com tudo isso? Humanidade, muita humanidade! É uma cascata de vida que se derrama a cada esquina, bairro ou cidade; a cada encontro seja em no Rio Grande do Sul ou no Amazonas, seja dentro de mim ou em um grande congresso.
 
São reflexões que impulsionam ações que por sua vez, demandam mais reflexões. São dinâmica que exigem de mim mais escuta que fala e mais sentimento mais que lógica. Essas contradições não permitem que eu abra mão da emoção assim como também da razão, quando uma se perde meus sentidos ficam vazios e minhas ações sem significados. Sinto-me presenteada com todas as pessoas que conheci, as aprendizagens que fiz e as vivências que experienciei. Sinto-me presenteada com o sentimento de dever cumprido que contagia meu fazer a cada sábado, feriado ou madrugada. Pelos silêncios que me entenderam, pelas críticas que me redefiniram, pelos abraçados que me fortaleceram e pelos sonham que foram investidos eu me sinto uma pessoa totalmente disposta a viver novos episódios dessa série que eu não quero que tenha fim. Como diz uma "famosa" canção: "Vem trilhar outro caminho, é claro que não está sozinho, sempre há alguém pra ajudar... lalaiá..."
 
Espero não ter sido muito subjetiva em minhas palavras, ou se sim, espero que elas preencham cada um que sabe que faz parte alguma parte desse quebra cabeça da vida. Feliz Aniversário para todos que DIRETAMENTE, sempre é diretamente não importa a distância ou a intensidade, me afetaram e por mim foram afetados. Parabéns a cada elo que se uniu nesse ano e que se Deus quiser vão continuar unidos por muito mais anos.
 
Siiiiiiiim, agradeço a Deus por ter a oportunidade de viver esses momentos que me constituem de uma forma única que as vezes me espanta e outras me silencia. Certamente, eu, Bruna, não teria vivido nada disso se não tivesse fé, em Deus, na vida e nas pessoas, é a seiva que me mantém viva para contribuir nessa grande construção.
 
 
 
P.S: qualquer erro ortográfico ou gramatical será corrigido posteriormente após uma leitura fora do efeito da madrugada... hehehe

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

As cores das flores


Esse final de semana conheci um vídeo lindo! Sim, ultimamente estou usando muito ferramentas áudio visuais para complementar minhas postagens, normalmente não gosto de fazer isso, todavia a correria da minha rotina não me permite dispor de um tempo maior para poder falar tudo o que eu gostaria acerca dessa nossa vida.

O nome do vídeo é "As cores das flores":


Se tem uma ideia que faz parte de todo o vídeo é sensibilidade. Não sei se este é um dom potencializado nas pessoas com alguma perda em um dos sentidos, mas o menino do vídeo expressa bem essa capacidade de produzir a partir de algo que tenha um significado pessoal.

O que me faz pensar qual a minha percepção sobre as coisas que me cercam e não somente isso, mas a forma como eu espero que outras pessoas percebam as circunstâncias que se apresentam. Será que a professora deu-se conta do tema que deu aos alunos? Será que realmente ela estava esperando contemplar todos os alunos com a sua pergunta? 

Fiquei me questionando se essa seria uma história verídica, se for realmente me alegro, caso contrário permanece a dúvida de como seria a repercussão desse fato em uma escola não cinematográfica? Outra parte do vídeo que me chama atenção foi o colega de Diego que quer dizer as cores das flores para ele, como se aquela explicação pudesse produzir algum sentido. Claro, havia um sentido para ele, mas que não ia ao encontro das especificidades de Diego. 

Quantos são os assuntos que passam pela nossa mente todos os dias e ao tentarmos explicá-los e compartilharmos acabamos falando dialetos a quem recebe nossa mensagem. Outros são os momentos em que queremos produzir um sentido, um significado que foi gerado a partir da nossa percepção, uma relação dependente dos fatores que nos constituem como serem pensantes, o que difere de uma pessoa para outra. 

Agregar os diversos conhecimentos que se mostram todos os dias é uma tarefa complicada mas bem possível e encontrar espaços onde se possa compartilhar essas ideias, as vezes malucas sob o ponto de vista de uma maioria, incentiva a busca cada vez maior de ideias e conceitos ligantes entre si. Afinal, assim como existe um passarinho para cada cor de flor, existem muitas outras relações a serem observadas e constatadas, basta estarmos com os olhos (da mente) abertos e sensíveis. 

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Motivações Utópicas

Feriadinho chuvoso na capital gaúcha, hoje no Rio Grande comemora-se a Revolução Farroupilha, uma história que muito foi abordada na minha 5 e 6ª série, que envolve grande parte da população desse Estado. Bom, os fatos históricos estão ai para serem analisados, e alguns dizem não ter havido revolução alguma, outros descartam essa hipótese; alguns endeusam as façanhas gaudérias, outros abominam todo esse esteriótipo heroico; Ilusão ou não, o fato é que muitos estão no parque Harmonia, tomando um chimarrão e comendo um bom churrasco para se alegrar por ser gaúcho. 

Quanto a mim, estou aqui a fazer devaneios.


Ganhei um livro esta semana, "Memórias da Saúde da Família no Brasil", elaborado pelo Ministério da Saúde no ano de 2010, resgata a história dessa estratégia que vem contribuindo para a ampliação do acesso à saúde aos brasileiros, sendo bem simplista na minha explicação sobre ela. Como o ganhei a pouquíssimos dias, ainda não finalizei a leitura que é composta por vários atores que ajudaram na formulação desse modelo de saúde. O livro é lindo, com fotos e uma diagramação gostosa de ler, principalmente em dias convidativos para o sono como este! Recomendo que muito, segue o link em pdf aqui

Confesso, que por mais feliz que tenha ficado em ter recebido este livro, não posso negar que algo muito forte fez-me parar a leitura. Isso não quer dizer que não vou terminá-lo, só, foi uma constatação que me fez pensar, pensar, pensar... e tudo o que eu penso demais acaba transbordando aqui, é inevitável! Entre os ministros da saúde, médicos, enfermeiras e demais pessoas que participaram dessas construções, não percebi o nome de nenhum agente comunitário de saúde, nenhum usuário que tenha recebido um atendimento, nenhuma pessoa "comum" que assim como os demais tem um papel fundamental na consolidação da Estratégia de Saúde da Família. Li os dois primeiros relatos e a curiosidade me fez buscar todos os mencionados a fim de encontrar uma referência a tais pessoas, não encontrei nada, como falar da Saúde da Família, sem a família? Percebi uma participação passiva através das fotos, mas isso não satisfaz o meu desejo de ouvir, ler , sentir a percepção desses sujeitos.

Há algumas semana atrás estava eu na mesma situação de hoje, lendo e fazendo coisas aleatórias que não estudar as disciplinas da faculdade. Devorei um pequeno livro da trajetória de uma líder comunitária chamada Rosalina Batista, no livro "Sou Cidadã" de Walter Ogana (não encontrei o livro em pdf, mas tem o blog do autor). "Nenhum caminho é uma estrada certa e reta para algum lugar. Os desvios são possíveis para o bem e para o mal. Os contornos aparecem sem avisos. A volta nem sempre é a pior possibilidade. Mas ir, cuidando-se para não plantar com força os pontos dos pés calejados no passado, é a alternativa de quem enxerga os desafios como um projeto de vida. [...] A certeza de que é possível ser cidadã apesar de todas as dificuldades que se colocam no caminho. [...] A simples organização das pessoas para o debate de suas aspirações já deixa saldos positivos quando a democracia torna importante todas as palavras e todos os pensamentos."

Não quero ser insipiente em minhas colocações, tampouco quero desmerecer um registro tão importante quando o livro das Memórias, mas é difícil pra mim não tentar unir de alguma forma essas ideias, é como se a dona Rosalina estivesse completando a outra obra, com suas ações. E não somente ela, como tantos cidadãos que não tem a oportunidade de ter suas vivencias registradas em um livro.

Expectativas... motivações... utopias. Acho que vou parar por aqui, pelo menos por enquanto, deixo que o Leonardo conclua essa postagem por mim. :)


quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Suspeitas...


"Se um homem marcha com um passo diferente do dos seus companheiros, é porque ouve outro tambor."
Henry Thoreau

"Vocês riem de mim por eu ser diferente, e eu rio de vocês por serem todos iguais."
Bob Marley


Eu suspeitava que não era daqui, quando vi essa animação tive a explicação que me faltava... hehehe... brincadeiras a parte, quem nunca se sentiu meio ET na vida? Ninguém é tão normal que nunca tenha feito uma esquisitice ao mesmo tempo que ninguém é tão "sem noção" que nunca teve um sonho "comum" a maioria das pessoas que o cercam. A verdade é que por mais diferentes que possamos ser, sempre há aqueles que se parecem conosco e isso faz com que novamente entremos em um cenário de "normalidade" pré estabelecida pela valência das relação que se constituem.

Sinto-me meio contraditória; senão contraditória, no mínimo, confusa... a verdade é que só queria compartilhar o vídeo e ficar pensando nas minhas suspeitas internas de ser ou não uma ex ET...  


sábado, 31 de agosto de 2013

Nutrição, sua linda! - Uma escolha


Hoje é dia do profissional nutricionista!

Entrei sem querer e quando vi não havia mais volta, a nutrição me fisgou de uma forma que não consigo explicar muito bem. Jornalismo, Letras e Moda eram cursos que estavam anos luz na frente de Nutrição, de qualquer forma, minha mãe sempre disse que não pagaria minha faculdade, que eu precisava ter uma profissão e depois poderia fazer o que quisesse. Entrei na escola técnica, no curso que "aparentemente", me deixaria o mais distante de gente doente e sangue, entrei na escola técnica porque precisava de dinheiro para entrar na faculdade, entrei na escola técnica querendo sair logo de lá! 

Depois de três anos de estudo, eu sai do curso técnico em nutrição e a nutrição não saiu de mim, então, fui em busca de um espaço maior onde pudesse aprender mais sobre tudo aquilo que eu não queria no início. Dos 30 colegas que iniciaram comigo o técnico em nutrição, hoje, somente eu sigo na área, vai entender essa vida?!

Eu não tenho muito o que dizer. A Nutrição brinca comigo, porque é um quebra cabeça que pode ser montado de várias formas diferentes com as mesmas peças, tenho certeza que ainda não são conhecidas todas as peças e possibilidades de combinações a serem feitas. Tenho perpassado por algumas áreas dela, batendo em algumas portas, vivenciando alguns lugares, as vezes me acho, outras vezes me perco. Muitas vezes dá um frio na barriga em pensar que daqui a um ano estarei pegando meu diploma e efetivamente vou poder dizer que sou uma nutricionista, sério, não me sinto preparada! Quantos conhecimentos já passaram por mim ao longo desses semestres, alguns entendi, absorvi, outros desprezei, esqueci, muitos estão bem presentes no meu dia a dia, tem aqueles que tenho que correr atrás do esquecimento, fora os que não estão no currículo e eu venho buscando.  

Indivíduo - Alimento - Ambiente, uma tríade complexa, cheia de complementos que vão desde a molécula ATP de uma mitocôndria até o efeito ecológico das monoculturas alimentares nos latifúndios do mundo e o que todo esse fluxo de informação interfere no meu organismo e no organismo do mundo. Porque comer não é um ato apenas fisiológico e alimento não é só uma massa formada por nutrientes, em tudo isso há muita dinâmica, muita vida! 

Pra mim, a nutrição tem a prevenção na sua essência e a saúde como um fruto natural do seu desenvolver. Pra mim, a nutrição é encantadora, mesmo que inúmeras vezes eu me sinta "descaracterizada" das demais pessoas pensantes que compõem esse nicho social. 


Porque nutricionista é aquela que sabe cozinhar, tem a tabela de composição química de alimentos na ponta da língua e consegue lhe fornecer uma dieta milagrosa que faz perder 20 quilos em 7 dias! Porque nutricionista é aquela que te recebe em um consultório branco com poltronas verdes. Porque lugar de nutricionista é no hospital calculando dietas... JURA! Não se engane, não se engesse, a nutrição é mais do que um senso comum/distorcido(?) refletido no imaginário geral.

Sobram fotos que registraram as experiências que tenho experimentado por ter feito esta escolha. Faltam palavras para descrever o quão realizada eu fico ao me dar conta do quanto já aprendi, das trocas que já fiz e de tudo que ainda posso concretizar com esses conhecimentos. Teorias que ganham significado na realidade da vida, políticas que se desmontam frente aos imensas demandas sociais que reafirmam a importância da minha profissão, cada vez mais humana, cada vez mais cidadã.

Gostaria de agradecer a todas as professoras (e professores né?), colegas, amigxs, parentes, conhecidxs e assemelhadxs que de uma forma ou outra me fazem querer continuar nessa escolha de promover saúde através do alimento. A cada porta que me foi aberta para descobri uma face nova da nutrição que tem encantado meus olhos e confirmado a ideia de que estou no caminho certo. 


sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Abraços possíveis.

Se tem uma coisa gratuita que gosto tanto quanto escrever ou falar é dar abraço, tem coisa melhor?! Abraço pra mim é uma atitude especialmente especial, me permitam a redundância nesse caso já que esse ato realmente essencial devem ser tratado como tal. ;)

Abraços envolvem, acolhem, confortam, relaxam, tranquilizam e revigoram a alma da gente. Pode ser apertado como de urso, alegre como o de um amigo ou sempre disponível como os da minha mãe, pode ser tímido, pode ser rápido, pode ser coletivo (quem conhece canta: "abraço coletivo, abraço coletivo")!!!!! O que cabe em um abraço? Euforia de um reencontro; saudades de uma despedida, paixão de um amor e amor de uma paixão... em um abraço cabem todas as risadas e gritos do mundo ao mesmo tempo que todo o silêncio que lábios são capazes de dar. Um momento onde não há perda, todos ganham com um bom abraço! Eu já dei muitos abraços, de diversas forma nas mais variadas situações, poderia fechar os olhos agora e relembrar dos bons momentos que já tive dentro dentro de um abraços!

Pensando sobre isso e na minha pré disposição para abraçar eu percebo um abraço que muitas vezes penso e até tento dar mas não consigo: no mundo. E não pensem no mundo, Terra, "imensa" (depende do ponto de vista né?) bola azul no cosmos, pensem em dimensões menores desse mundo, mesmo essas eu não consigo envolver com meus braços. Sim, de fato isso é uma verdade consumada, que inúmeras pessoas me falam todos os dias e que de certa forma eu já internalizei. Mas dizer que entendo algo não significa que eu concorde e por vezes a minha teimosia brunistica me impulsiona a tentar mais uma vezinha que seja realizar tal feito. AAAAAAHHHHHH, quantas vezes eu tenho vontade de gritar por não conseguir isso!

Me ocorre que por melhores que sejam minhas intensões para com esse(s) mundo(s) ele é coletivo demais para se deixar ser envolvido por apenas um par de mãos. Certamente ele quer (e precisa) das minhas mãos, não por serem minhas, mas porque constituem um encontro que gera uma reação onde, no meu caso, espero que seja uma boa reação. Não importa qual seja a dimensão de mundo existente, ele mais do que ninguém gosta de um bom abraço, desde que seja bem coletivo, que tenha a cara de muitos ao mesmo tempo que tem uma cara só, ao mesmo tempo que tem muitas mãos gera uma única sensação: cuidado/empatia.

Não tenha medo, abrace!
Não pense duas vezes, abrace!
Se não puder sozinho, olhe para o lado e dê a mão ao(s) próximo(s)...
Incentive outros a abraçar tanto quanto você!

Abrace não só as coisas boas e felizes, abrace os tristes, os esquecidos, amargurados, desprotegidos. Penso que muitos destes são potenciais abraçadores a outros, mas não sabem o valor dos seus braços e o calor dos seus sentimentos. Abrace a fome com alimentos e o frio com agasalhos; abrace o impossível com ações possíveis que gerem vida capaz de produzir outras formas de abraçar.

Abraços não são eternos, mas por onde ocorrem deixam marcas de afeto e fazem toda a diferença! Abraços são possíveis.


"Os abraços foram feitos para expressar o que as palavras deixam a desejar."

Anne Frank